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24/02/2010
Coordenador está otimista quanto à produção agrícola. |
As previsões meteorológicas sobre a probabilidade do inverno de 2010 ser abaixo da média, não significam, de antemão, que o ano será de perda significativa para a produção agrícola do Rio Grande do Norte, garante o coordenador de Agropecuária da Secretaria Estadual da Agricultura, da Pesca e da Pecuária (Sape), Antônio Carlos Magalhães: “Se as chuvas forem bem distribuídas em alguns municípios podemos ter uma boa safra”.
Exceto em anos de seca, quando não é possível o agricultor plantar de maneira nenhuma, Antônio Carlos Magalhães explica que mesmo em períodos de inverno rigoroso, pode-se colher alguma coisa. Ele cita o paradoxo que foram as enxurradas de 2009, quando se perdeu a safra agrícola em quase todos os municípios do Estado, mas, no Vale do Apodi, as cheias contribuíram para o crescimento da safra de arroz, que se produz bem em alagadiços.
Os dados relativos à produção agrícola de 2009, segundo o IBGE, estão sendo consolidados até o fim de março. Porém, Magalhães exemplificou que na região Oeste, se não houver uma consolidação do inverno na região do Alto Oeste até 15 março, o agricultor não poderá mais plantar algodão, conforme o Zoneamento Agrícola elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Por isso defendemos um calendário móvel e não um fixo como elaborou o Ministério”, disse ele, a respeito do Zoneamento Agrícola que prevê o plantio daquela cultura entre 15 de janeiro e 15 de março de cada ano.
Neste caso, segundo ele, se houver uma sequência de chuvas depois daquela data, os agricultores do Alto Oeste serão duplamente penalizados, porque já está chegando o fim de fevereiro “e não terão mais direito ao crédito bancário”.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Norte (Fetarn), Manoel Cândido da Costa, explica que a orientação da instituição aos agricultores é de, em virtude da falta de consolidação do inverno neste começo de ano, aguardem pelo menos até o tradicional dia de São José, 19 de março, para iniciarem o plantio de algumas culturas mais tradicionais no Rio Grande do Norte, como o milho e o feijão : “O que tem ocorrido é que vem chovendo mais em alguns municípios e outros não”.
Já o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Norte (Faern), José Vieira, disse que, realmente, o agricultor deve ficar atento às previsões meteorológicas e climáticas para evitar prejuízos nas plantações - “para não ser pego de surpresa -, inclusive com relação aos custos dos insumos e oferta de crédito financeiro.
Para Vieira, o momento é de muita cautela e uma saída “é não fazer o plantio de grandes áreas”, já que existe a probabilidade de o inverno deste ano ser 45% abaixo da média. De acordo com os meteorologistas, a probabilidade do inverno ser 20% acima do normal e 35% normal.
-- Governo vai beneficiar 28 mil agricultores --
Mais de 28 mil agricultores do Rio Grande do Norte serão beneficiados com a distribuição de sementes para o plantio agrícola deste ano, segundo o governo estadual. Portanto, são 70,6% a mais do que em 2009, quando o Banco de Sementes criado há cinco anos beneficiou 20.481 agricultores.
“Esse ano, em virtude das informações da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn) de que a quadra chuvosa deverá ficar abaixo da média, nós antecipamos a entrega das sementes para que os agricultores não perdessem as primeiras chuvas”, disse o coordenador de Agropecuária da Sape, Antônio Carlos Magalhães.
Segundo Magalhães, em 15 de janeiro as sementes de milho, feijão e sorgo Ponta Negra, já estavam disponíveis nos dez Escritórios Regionais da Emater para serem encaminhadas aos BS: “Estamos monitorando os BS e a partir de maio, será feita uma auditoria nos bancos para ver o seu funcionamento, tirar dúvidas dos participantes, e levantar a parte de estruturação, pois desse total 400 receberam silos e balanças, e estamos tentando junto ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), recursos para estruturar os outros 455”.
Magalhães explica que os BS foram criados desde 2005, após discussão com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Norte (Fetarn). Todos os anos, a Emater levanta os estoques de sementes já existentes e a necessidade de criação de novos BS. “Os dados são repassados à Coordenadoria de Agropecuária até o final de setembro, para que se possa fazer um levantamento de quanto será preciso adquirir de sementes para a safra vindoura, pois a licitação das sementes deverá ser feita ainda em dezembro”, explicou ele.
No ano de 2009, existiam 607 BS, em 108 municípios, que atenderam 20.481 agricultores familiares. Foram entregues aos BS 50 toneladas de feijão e 50 t de milho.
Já para a safra de 2010, passou-se a ter 855 BS, que atendem a 28.995 agricultores familiares, em 135 municípios. Nesta safra foram adquiridos 70 t de milho e 70 t de feijão e 30 t de sorgo Ponta Negra. Tivemos um acréscimo de 248 BS novos. Em setembro de 2009, foi feito o levantamento pelos técnicos locais da Emater dos estoques disponíveis nos BS: Milho - 44.050 kg , Feijão - 38.600kg e Sorgo Forrageiro - 11.000 kg. Os estoques maiores estão nas regiões do Alto Oeste.
Fonte: Jornal "Tribuna do Norte" (24/02/2010)
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